STORYTELLING

A fotografia de cotidiano é a minha forma de celebrar o agora. É sobre encontrar o extraordinário na simplicidade e a narrativa nas pequenas pausas. Aqui, as histórias pessoais são as protagonistas. Cada imagem é um fragmento de vida real, capturado com respeito, sensibilidade e a intenção de tornar eterno o que é genuíno.

Betão

Alberto, 67 anos, vulgo Betão, viveu de perto o fim do jejum de títulos do Corinthians em 1977.

A final do Campeonato Paulista contra a Ponte Preta foi decidida em três jogos marcantes. No primeiro, a vitória corintiana por 1 a 0 trouxe uma festa repleta de fogos e bandeiras. No segundo jogo, a expectativa era de título imediato, levando um público recorde de quase 147 mil pessoas ao estádio, consolidando a histórica "invasão do Morumbi" em 09/10/1977 - "Corinthians quando entrava em campo, rapaz, era uma festa tão grande, tão grande... Naquela época não tinha mosaico, era foguetório e bandeiras, milhões de bandeiras no Morumbi". Betão recorda que, para essa ocasião, comprou tecidos preto e branco para que sua mãe costurasse um bandeirão de nylon, que ele orgulhosamente levou em um mastro de três metros. "Fui numa loja de tecido, comprei uns tecido preto e branco... levei pra minha mãe, minha mãe fez um bandeirão, rapaz, que você nem imagina".

Apesar da derrota no segundo jogo, a jornada de Betão foi inesquecível. Após ir ao estádio na carroceria de um caminhão, ele se perdeu do grupo e precisou retornar para casa, na Zona Norte, enfrentando ônibus lotados com seu mastro gigante, atravessando a cidade de forma improvisada até chegar ao Largo do Paissandu. "Eu me perdi dos caras lá no meio do povão... tive que pegar ônibus, rapaz, no Morumbi... com a bandeira e o cano de 3 metros. Eu entrava no ônibus e o cano... arrastava até o motorista lá".

O ápice ocorre no terceiro jogo, com o histórico gol de Basílio. Mais do que a conquista em campo, o título teve um significado profundamente pessoal: o dia 13 de outubro era também o aniversário de seu pai, o grande incentivador de sua paixão pelo Timão. Ao chegar em casa de madrugada, pai e filho celebraram juntos, entre lágrimas, o título e a vida, em um momento de pura emoção familiar:

"E no terceiro jogo, aí foi a festa total, né? Foi a festa total, fomos campeão e tal. E o que marcou, né? Lógico, marcou o título, o gol do Basílio, enfim, como foi o gol. E aí o que marcou mais também, ô Fabio, na minha vida até hoje tá marcado, porque meu pai que me incentivou a ser corinthiano, né? Meu pai era corinthiano roxo, doente também. E aí, rapaz, coincidentemente, dia 13/10 é aniversário do meu pai. Dia 13/10 ele fazia aniversário, entendeu? Dia 13/10 era aniversário dele. Então, quando eu cheguei em casa já era quase duas, três horas da manhã, daquele jeito, e meu pai me esperando, rapaz. Aí nós comemoramos o título do Corinthians e comemoramos o aniversário dele. Meu pai chorava que nem criança. Todo mundo chorava, né? Foi uma coisa de louco assim, entendeu? Enfim, foi muito bom participar dessa final aí, rapaz. Foi muito mesmo, valeu, entendeu? Valeu todo o esforço que nós fizemos pra ir nos três jogos, valeu o esforço."

Nas imagens consta o ingresso da 3ª Final que Betão guarda com tanto carinho e que me deu a oportunidade de compartilhar sua história de amor pelo Corinthians.